Friday, January 12, 2007

INFERNO

PORTANTO, NINGUÉM ESCOLHE em abstrato ir para o inferno nem ser o tipo de pessoa que pertence àquele lugar. Mas sua desorientação os leva a tornar-se o tipo de pessoa para os quais o único lugar apropriado é longe de Deus. É o lugar que, finalmente, escolheriam para si mesmos, preferivalmente a humilhar-se diante de Deus e aceitar quem ele é. Quer seja ou não a vontade de Deus infinitamente flexível, certamente a humana não é. Há limites além dos quais não pode ceder, voltar-se ou arrepender-se.

Devemos nos perguntar seriamente se nosso verdadeiro desejo é viver em um mundo permeado por Deus e por seu conhecimento. Se não, podemos estar seguros de que Deus não nos obrigará a compartilhar sua presença. Encontraremos nosso lugar nas “trevas exteriores” das quais Jesus falou. Mas o fato fundamental acerca destas pessoas não será que estejam ali, mas que se tornaram pessoas tão trancadas em sua adoração- própria e negação de Deus que não podem desejar Deus.

Um famoso ministro de outra época costumava perguntar retoricamente: “Dizes que aceitarás Deus quando quiseres?” E logo acrescentava, “Como sabes que serás capaz de querê-lo quando quiseres”? A pessoa finalmente perdida é a pessoa que não pode querer a Deus. Que não pode querer que Deus seja Deus. Multidões de tais pessoas perecem todo dia e passam para a eternidade. A razão pela qual não encontram a Deus é porque não querem a ele ou, pelo menos, não querem que ele seja Deus. Querer que Deus seja Deus é muito diferente de querer que Deus me ajude.

(...)
Ninguém perde o céu por um cabelo, mas pelo constante esforço por evitar e escapar de Deus. “As trevas exteriores” é para quem, por tudo que foi dito, as quer, para aquele cuja orientação total tem se estabelecido lenta e firmemente contra Deus e, portanto, contra o modo em que o Universo é na realidade. São para aqueles que estão desastrosamente equivocados acerca de suas próprias vidas e o lugar delas diante de Deus e do homem. A alma devastada precisa estar disposta a ouvir e a reconhecer sua própria devastação antes de poder encontrar o modo de entrar em um caminho diferente, o caminho da vida eterna que conduz naturalmente à formação espiritual à semelhança de Cristo.

A formação espiritual não é algo que pode ser acrescentado ou não ao dom da vida eterna como uma opção. Antes, é a vereda pela qual flui naturalmente o eterno tipo de vida “do alto”. É o caminho no qual temos de estar se queremos que a nossa vida seja do tipo eterno.

Não se trata de um projeto de “melhoria de vida”, em que a “vida” em questão seja a vida habitual dos seres humanos “normais”, isto é, vida à parte de Deus. Antes, é o processo de desenvolvimento de um tipo diferente de vida, a própria vida de Deus, sustentada por Deus como uma nova realidade naqueles que confiam que Jesus é o Ungido, o Filho de Deus. “Crendo nele, temos vida em seu nome”(João 20.31). Aqueles que estão “em Cristo” — é dizer, que estão absortos em sua vida, no que ele está fazendo, mediante o dom interior do nascimento do alto — “são de uma nova criação (ktisis). O ‘velho material’ não importa mais. É o novo que conta” (2 Coríntios 5:17). Aqui nesta nova criação está a bondade radical, a única que pode renovar completamente o coração.

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